Filmes Que Colam

“Filmes Que Colam” é um projeto de fomento ao setor paulista do audiovisual. Proporciona ainda um mecanismo inovador de estímulo à articulação entre os atores culturais e amplia os circuitos de reflexão estabelecidos, criando novas esferas de intercâmbio.

O projeto apresenta interesse público abrindo espaço para a discussão de especialistas junto a sociedade civil sobre uma das importantes áreas da cultura brasileira, o Cinema. Ativando a discussão pública em torno de temas da agenda cultural contemporânea, valorizando a diversidade de pensamentos. Além disso, aproxima os atores da cadeia produtiva, fortalece e amplia os espaços de reflexão da sociedade, necessários à formulação de projetos sustentáveis de desenvolvimento humano, econômico, social e cultural.

 

O PROJETO DESENVOLVE-SE EM 3 FASES COM UMA AÇÃO PARALELA EM FORMAÇÃO

1 - Seminário - Seminário para estudantes e profissionais do estado de São Paulo.

2 - Concursos de idéias para cinema (lançamento em 11/9/2010 )

3 – Oficinas Filmes que Colam (inicio das inscrições em 11/9/2010 )

O sucesso é fundamental para a indústria do audiovisual, o aumento de público para os filmes nacionais atrai novos investidores, novos talentos e faz a máquina continuar aumentando a sua produção. Esse projeto visa entender o sucesso de algumas obras, movimentos ou mesmo tendências dessa indústria e, ajudar produtores, distribuidores e roteiristas a bolar novas obras que possam alcançar o sucesso.

É evidente que não existem fórmulas de sucesso em cinema ou televisão.  Mesmo assim é possível debater as tendências culturais e tentar intuir os filmes que possam fazer sucesso.  Existem inúmeros exemplos de produtos feitos com “todos os elementos”, mas que fracassaram nas bilheterias e exemplos opostos: produtos feitos com baixo orçamento e pouca pretensão que atingiram grande sucesso. Entender esses fenômenos é fundamental.

Malcolm Gladwell, autor do importante livro “O Ponto de Desequilíbrio” defende a tese de que são possíveis  idéias se alastrarem como epidemias culturais e estuda os motivos que levam determinados conteúdos a se propagarem. Ele trabalha com o conceito de “Idéias que colam” e nós, tal como Gladwell, estaremos também procurando idéias inovadoras que são o ponto de partida para filmes de sucesso.

Uma parte importante do trabalho de um bom produtor criativo ou de um investidor em cinema é ser uma “antena” dos desejos do público e efetivar esses desejos numa obra audiovisual. No entanto, mesmo num cinema mais autoral, essa necessidade se repete. Pois o sucesso que tratamos aqui não é apenas o sucesso em números quantitativos de público.

O sucesso pode ser o grande público em números absolutos, um público segmentado, pode ser o filme virar uma referência em determinado métier artístico ou uma marca estética que renova o cinema e polariza debates críticos. Mas o objetivo é sempre alcançar o sucesso e encontrar seu público.

Filmes que Colam parte desse pressuposto e convidará especialistas em diversas áreas para discutir com o público o que leva um filme ou uma obra de televisão a alcançar o sucesso. Além disso, promoverá chances de se descobrir novos argumentos para filmes através do concurso e da Feira de Idéias. Estimulará a produção independente e dará chance aos jovens cineastas paulistas, mobilizando o meio audiovisual, projeto que vem de encontro com as ações de fomento da Secretaria de Estado da Cultura.

 

CUMPRIR REGRAS OU QUEBRAR REGRAS ?

O longa “Cidade de Deus” teve lançamento de filme médio e previsão de 600 mil espectadores. Apesar dos méritos do filme em roteiro e direção, o mercado acreditava que um filme só com atores negros desconhecidos e cheio de violência não atingiria o grande público. Mas o público se impôs, atingindo a marca de 3 milhões de espectadores no país.

Esse exemplo nos mostra que o mercado brasileiro tem dificuldades de avaliar até mesmo o sucesso de um filme pronto. Quanto mais de um filme em pré-produção, no estágio do roteiro ou argumento. É, no entanto, fundamental que produtores tenham mecanismos de escolher qual filme deverá ser produzido, saber antecipar os gostos do público e ser a antena que a sociedade almeja.

E para alcançar esse sucesso não basta seguir regras. É necessário, muitas vezes, quebrá-las. Em outros casos, é necessário usá-las em partes do filme, mas ir além em outros aspectos.

TEMA E PROPÓSTA ESTÉTICA

 

Vários aspectos podem ser analisados para prever o sucesso de um filme. Obviamente uma equipe talentosa é um elemento que garante uma boa realização do projeto. Mas não é suficiente. O sucesso parte antes de tudo de algo mais vago, que alguns chamam de uma “boa idéia”, outros de um “bom conceito”.

Às vezes é um tema que atende a uma demanda imaginária do público. É o caso, por exemplo, dos filmes de extraterrestres que surgiram nos anos 70 e dominaram o mercado nos anos 80. Em outros casos, não é o tema que define o sucesso. É um projeto estético, é um novo jeito de filmar. A nouvelle vague e o Dogma 95, para dar dois exemplos, impactaram o público de suas respectivas épocas, por inventarem novas formas de filmar.

Esses tipos de sucesso serão analisados em nosso seminário construindo um painel multidisciplinar que dará pistas para o público pensar o que gera um sucesso num filme. Não daremos formulas mágicas. Daremos apenas uma lista de possíveis ingredientes do sucesso. Cabe a cada realizador combinar os ingredientes de uma forma absolutamente original e alcançar a inovação, verdadeiro motivo do sucesso de uma obra.


GÊNEROS NO BRASIL

 

Ao longo da história do cinema brasileiro, sempre que um gênero caiu no gosto da população brasileira, houve um grande reaquecimento da produção de filmes.

Nas décadas de 30, 40 até meados de 50, a chanchada dominou o cinema brasileiro fazendo enorme sucesso de público e lançando ao estrelato muitos artistas. A história da empresa cinematográfica Atlântida mostra a importância de se aproveitar os gêneros. Fundada por intelectuais que queriam fazer um cinema diferente das chanchadas, fracassou, sendo obrigada a fazer chanchadas, com a dupla Oscarito e Grande Otelo como carro-chefe.  O filme caipira também foi um gênero explorado no cinema brasileiro na década de 50, 60 e 70, principalmente por causa do Mazzaropi. A pornô chanchada nos anos 70 foi um dos maiores sucessos do cinema brasileiro.

Hoje temos o gênero comédia romântica que tem conquistado seu espaço e seu público. Mas continuamos sem produzir cinema de gêneros importantes. O preconceito tem evitado que o cinema brasileiro trabalhe com gêneros e temos que superar isso, aprendendo a criar dentro do gênero e a renova-lo.



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